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domingo, janeiro 18, 2015

*TEUS VERSOS


*Teus Versos

 Quisera ter guardado no porão
da alma prece e sonho em agonia,
teus versos em reserva e oblação,
a força da palavra, esta alquimia.

Quem sabe, ainda existe tatuagem,
gravada não sei onde, mas suponho
resquícios hibernando na passagem
de nacos trafegando, mas disponho,

dos anos traiçoeiros incontidos,
fazendo jardinagem nas montanhas,
querendo recordar em tempos idos,
cada verso guardado nas entranhas.

Quem sabe guardo ainda em agonias,
teus versos nas madrugadas frias.

Sonia Nogueira

Selecionada  entre os 50 melhores sonetistas
dos 370 inscritos, na Academia Jacarehyense de Letras, 
RJ, 2014


sexta-feira, outubro 01, 2010

*A PALAVRA

*A Palavra


Guardo-te limpa com tanto zelo

Tratamento de rainha, excesso

Às vezes, dos acentos desprezo

Por descuido, por não ter acesso

*

Procuro não ultrapassar o encanto

Para não ferir, envolver no pranto

Mas, teima desobedece, e, sincera

Fazes à mágoa, o inimigo emperra

*

Como entender-te noutra mão ali

Pensamentos seus em convicção

Pensamentos meus falando aqui

Vontades diversas em devoção!

*

Meus olhos te louvam dia e noite

Nos contos, crônicas, poemas brios

Oculto ao meu olhar, alguns afoites

Que fazem da palavra vãos desafios

*

Nos palavrões que dás espaços

Ao erotismo não tenho enlace

Para que! Soa todos em percalços

Fere, embota, torna-te fugace

*

E do amor quando o olhar te deita

De tanto encanto que a alma agita

Mente e corpo em ti se deleita

Parece chama em verdade eleita

*

Mas, quando a lógica se conflita

E, nas falácias o campo se aprimora

Ah, meu ego em ti, te mortifica

E vejo tua força noutra mão afora

*

Da eloquencia sou cativa ativa

Aos “homens” leio e fico enleva

Na mesma eloqeuncia a mão criva

Mata o coração, luz apaga a treva

*

A página silenciosa réu confessa

Cancioneiros, aprendiz, doutores,

Como confessora nata que se presa

Reserva leitura segredos redentores

*

Nasceste, palavra, para unir nações

Como a faca que serve para o corte

Tu cortas amigos, famílias, relações

Serás imortal, mas sou de ti consorte

*

Ao dom da palavra que faz encanto

Da mesma palavra que apaga a luz

Eu que dela uso e também desencanto

Prostro-me redentora levo minha cruz

*

SoniaNogueira


Texto selecionada para a coletânea do

Usina de Letras -RJ*