sábado, julho 13, 2019

*O QUE NADA CUSTA


 


O que Nada Custa 


A luz que se recolhe sonolenta,
O equilíbrio do tempo pernoitando,
Alvorada, o silêncio sem tormenta,
Som que sai livre do eco solfejando.

O bando de andorinhas revoando,
O despertar do sono num sorriso,
O sonho na penumbra professando,
Se ainda existe Céu ou paraíso.

O abraço que oferta noutro abraço,
A lágrima derramada, a saudade,
Ombro que colhe, abriga no antebraço.

Nada custa o valor do teu sorriso,
As palavras  que em deleite e amizade,
Leio-te sob o olhar calmo, conciso.

Sonia Nogueira

Do Livro- Nas Entrelinhas
Sonetos meus



quinta-feira, julho 04, 2019

*O INFINITO


No livro: Silêncio que Fala 
tela minha

 O Infinito


O grito ecoou na hora primeira
Surgiu a vida parecendo infinito
Sabendo da finitude, ira obreira
Tremi vendo da natureza o rito.

Infinito é o sonhar na esperança
Parecendo magia contra o tempo,
Perpetuando o gene como herança
Espécime vorace em contratempo.

Deitei na imensidão, contei estrelas,
Tantas parecendo pingo em chuva,
Não sei se infinitas, porém singelas,
A mente desfigurada ficou turva.

O amor tema imortal, creio, restrito,
Ovação dos amores nasce e perece,
Rápido como gemido de tão finito
Fenece, renasce perdoa como prece.

Eu vi no infinito teu culto olhar
Em tanta profundidade me perdi,
Espelho transbordante ao mirar
Deus, que grandioso, nunca esqueci.

Classificada nas três primeiras colocadas
No Concurso Poesias Encantadas, 2010, Mogi
 Guaçu SP.

Honra ao mérito
Academia Machadense de Letras RJ


terça-feira, março 26, 2019

*SILÊNCIO UE FALA


Dia Internacional da Poesia

*Silêncio que Fala ,

Todo silêncio ao coração contrito
Olhei no teu olhar sem emoção
Entrei em tua alma feito furacão
Vasculhei teu céu não vi o grito.

Não vi teu grito, mas vi penumbra,
Solidão sem palavra, sem testemunha,
Corroendo o tempo, fazendo grunha,
Abrindo valas como canto em rumba.

Este silêncio embotando a alma
Faz moradia, me consome fria,
Quisera um naco da cronologia
Pra burlar o tempo ofertar a palma.

Pudera ser a luz que rompe treva
Alumiar o templo, chegar a ti,
Nas palavras escrever que te vi
Sem o invólucro erguendo a leva.

Na face contrita teu olhar amante
Qual um telão rijo, emoldurado,
Nenhum sorriso eu vejo abortado
Só o silêncio envolve cada instante.

terça-feira, janeiro 01, 2019

*ESTAMOS AQUI 2019



*Estamos Aqui 2019 

Esperando mudanças nesta hora
Quando os olhos se voltam aqui
No presente, e venha sem desforra
Do passado instigando o porvir

Que teima em não ser grande luz
Aninha em suas asas, só parceiros
Despreza noutros tantos uma cruz
Árdua para lutar esses guerreiros

Que a miopia, dois mil e dezenove,
Deixe a carcaça crosta rotineira,
Milenar, cavando sucos e chove
Abundância aos picos em asneira.

Abra suas asas aos famintos ali
Amenize a dor do irmão á sorte
Na mesa o pão com a falta do sorrir
Da educação seja guia e consorte

Há, dois mil e dezenove és número
Mas és tempo desatinado ao poder
És rédea, força, cédula, és consumo
E mais ainda tens a força do querer.

Esperamos a cada virada, sorriso
Confiança na mesma espécie, bem
Braços abertos em tempo preciso
Aplauso sincero a cada ano que vem.

Feliz 2019 com o coração liberto
De mãos dadas e o olhar desperto.

quinta-feira, dezembro 27, 2018

*ESTAMOS AQUI 2019




*Estamos Aqui 2019

Trezentos e sessenta e cinco dias
De lutas, fracassos, sucessos sim
Em cada degrau de festa ou motim
As horas riam com ou sem melodias

A vida seguiu seu curso diário
Novas vidas aplaudiam o milagre
Outras corrompidas em sorte agre
Não viram sol e luar no cenário

Aplaudimos os heróis em destaque
Choramos o infortúnio dos fracos
Estopim da bala no corpo o buraco
A seca, a chuva, no mesmo estandarte

Muitos lares enfrentaram o vendaval
Outros abriram portas para o amor
Entre enganos e desenganos, dor
Que seja a família a segurança, o aval

Resistimos de pé, a mesma coragem
Sorriso farto, a passagem do ano
Coração palpitando neste oceano
Flutuante de esperança na viagem

Com a mesma garra vamos remando
Passos firme corpo e mente saudável
Numa faxina constante reciclável
Caindo, levantando, rindo, amando

Quero todos vocês aqui neste ano
E em muitos outros que virão, enfim
Plantando e colhendo no seu jardim
Carinho, amizade, amor sem dano

Distribua carinho, oferte o ombro
Amizade que seja verdadeira
Amor respirando no ar sem fronteira
Tudo retornará para nós em dobro

Meu abraço que seja o elo constante
Dois mil e dezenove amor não seja escasso
Na saúde haja a resistência do aço
Liguemos a chave vamos avante

Que Deus nos acompanhe sem conflitos
Feliz 2019 aos poetas e amigos


quarta-feira, agosto 15, 2018

*AO MEU PAI




*Ao Meu Pai

É saudade diária sempre presente
A cada dia relembra o pensamento
Do pai, irmãos, sobrinho ausente,
O destino nos dá por uns momentos

Difícil aceitar esse universo
De poder tamanho incontestável
Que o coração aceita no meu verso
Sem força, mas aceita o inevitável,

Foi tão bom à convivência diária
Que cada recordar traz um sorriso
Mesmo sabendo que a medalha
Da vida é tramada sem improviso

Lembro-me da vida simples, o sertão
Do cheiro do gado, o peixe sadio
A plantação, a colheita do algodão
O rio correndo o nado em desafio.

Guardo pai, irmãos, sobrinho, amados  
O registro em cada hora do sorriso
E rogo em oração ao Deus adorado
Que estejam contigo com o mesmo riso.

À MINHA MÃE




*À minha Mãe 

Quando em ti penso, mãe, ausência,
Cada lembrança é saudade terna,
Coração fragilizado, a mente ativa,
Na lágrima retida força e reserva.

Na foto desbotada sina e tempo,
A alma desolada em são momento
Arquiva dor suave presa ao vento
Trazendo angústia e tormento.

Foram frios meus verões, mãe,
Faltou a mão para me aquecer,
Gesto protetor da supermãe,
O zelo do olhar no alvorecer.

O vento soava triste e lento,
Em murmúrio de consolação,
O sonho pernoitava no relento,
A vida viajava em turbilhão,

De buscas, de uma explicação,
Mas como entender a lei do alto
Que não pergunta ao coração.
Pode-se resistir tamanho assalto!

Assim é a vida na terra, que fornalha.
Uns choram pela mãe que agoniza,
Outras dão a vida na batalha,
Pobre mãe lança o filho à enxurrada.

Sobrevivi a chuvas e trovoadas,
Sentimentos voando em agonia
Nas noites frias sob as rajadas,
Nos relâmpagos, senti tua falta.

Sou órfã nas horas de saudade,
Nas horas de carência sou poesia,
Sou triste, nas horas de bondade,
Lembro-me da mãe que foi um dia.

A cada dia, mãe, a lembrança cresce.
E Deus nas alturas te louve em prece.

Medalha de Prata, junho 2014, RJ



sexta-feira, março 30, 2018

*PÁSCOA



Tela minha

Páscoa 

Quando uma flor desabrocha,
Quando uma criança sorrir de alegria,
Quando as pessoas se confraternizam,
Quando não há ódio, nem rancor no coração.
É Páscoa quando acreditamos que:
Cristo nasce em cada gesto
E quando durar nossa capacidade,
De amor e de perdão.
Pensemos então a partir de agora:
Todos os dias será Páscoa
Todos os dias haverá renovação
E não precisa de 365 dias
Para que sejamos solidários
Com o próximo e com Deus.

Sonia Nogueira