sexta-feira, outubro 01, 2010

*ANTAGONISMO


Antagonismo
*
O dia surge, um olhar que deslumbra
Sol abraçando o mundo em claridade
Treva sugando a noite na penumbra
Duas forças opostas, liberdade
*
Molhando a terra a chuva condoída
Levando ao solo pranto que afaga
Suspira a semente grão rogando vida
No mesmo lema escassez e fraga
*
Definha a vida a flor pálida e triste
A sede cobre a pétala que murchou
Na lágrima faltou pranto, que acinte
Canta a natureza alento não soprou
*
Olhando a janela, o coração aflito
Descubro no dilema obra e criação
O vento vem soprando, rir. Insisto
Quão sublime o mistério extensão
*
No espelho o rosto triste dos invernos
Dos verões, outonos, quimera amiúde
Roubados dos anos, rios primaveras
Que contraste Deus, vida e ataúde
*
Horas sou chão firme, forte, poema
Noutras, solidão companhia ativa
Às vezes, serenidade que amena
Horas furacão farejando, viva
*
De repente o amor correu liberto
Que faço das correntes no porão!
Perdi o tino, no rastro só deserto
Atônitos, errantes, amor e coração
*
Sonia Nogueira
*
Ganhou Menção Honrosa no concurso
da Academia Machadense de Letras - MG
08/09/2010

*A PALAVRA

*A Palavra


Guardo-te limpa com tanto zelo

Tratamento de rainha, excesso

Às vezes, dos acentos desprezo

Por descuido, por não ter acesso

*

Procuro não ultrapassar o encanto

Para não ferir, envolver no pranto

Mas, teima desobedece, e, sincera

Fazes à mágoa, o inimigo emperra

*

Como entender-te noutra mão ali

Pensamentos seus em convicção

Pensamentos meus falando aqui

Vontades diversas em devoção!

*

Meus olhos te louvam dia e noite

Nos contos, crônicas, poemas brios

Oculto ao meu olhar, alguns afoites

Que fazem da palavra vãos desafios

*

Nos palavrões que dás espaços

Ao erotismo não tenho enlace

Para que! Soa todos em percalços

Fere, embota, torna-te fugace

*

E do amor quando o olhar te deita

De tanto encanto que a alma agita

Mente e corpo em ti se deleita

Parece chama em verdade eleita

*

Mas, quando a lógica se conflita

E, nas falácias o campo se aprimora

Ah, meu ego em ti, te mortifica

E vejo tua força noutra mão afora

*

Da eloquencia sou cativa ativa

Aos “homens” leio e fico enleva

Na mesma eloqeuncia a mão criva

Mata o coração, luz apaga a treva

*

A página silenciosa réu confessa

Cancioneiros, aprendiz, doutores,

Como confessora nata que se presa

Reserva leitura segredos redentores

*

Nasceste, palavra, para unir nações

Como a faca que serve para o corte

Tu cortas amigos, famílias, relações

Serás imortal, mas sou de ti consorte

*

Ao dom da palavra que faz encanto

Da mesma palavra que apaga a luz

Eu que dela uso e também desencanto

Prostro-me redentora levo minha cruz

*

SoniaNogueira


Texto selecionada para a coletânea do

Usina de Letras -RJ*

terça-feira, agosto 31, 2010

*POEMA DE AMOR


* Poemas de Amor

*

P - Para ti este poema

O - O menor que eu já fiz

E - E de tanto que eu quis

M - Meu amor foi teorema

A - Amando sempre te quis

*

D - Diante deste teclado

E - Envio-te a flor ao lado

*

A - Agora cheira e guarda

M - Momento de tanta beleza

O - O tempo registra nobreza

R - Rir por tão raro achado

*

SoniaNogueira

*ABRACE-ME

Abrace-me

*

Abrace-me como os raios de luar
Instigando qual cupido aos amantes
Aura espalhada por seu pulsar
Badaladas ritmadas hoje e antes
*
Envolve-me no abraço madrigal
Aquecendo a frieza, as madrugadas
Da melodia poética, som divinal
Despertando emoções desgarradas
*
Como a planta enrosca suas raízes
Na terra, procurando alimento
Traz para mim o abraço no momento
*
Qual sol abraça a terra ressequida
Alimento sublimando sopro e vida
Oferto outro abraço em cor matizes

SoniaNogueira

quarta-feira, agosto 04, 2010

*AO MEU PAI

*Ao meu Pai

*

Quando me lembro de ti mocidade

Labuta diária, planos no futuro

Ultrapassando muros, tempestade

Recordo teu olhar verde, aflito e puro

*

Memorizei teu passo firme, inteiro

Na pressa para o tempo não apagar

Os anseios guardados no canteiro

Na flor branca que vinhas ofertar

*

Foram anos plantados cada dia

De amor, zelo, carinho e proteção

Embrulhados no jardim coração

Que a saudade terna acaricia

*

Saudades são tantas catalogadas

No álbum que a mente recorda

Como raiz estendida, arraigada

Cresce de dia a noite transborda

*

A ruga quase não veio na face

Sorriso franco o final sem ação

A mão sem força fez-se fugace

Guardo de ti, pai, toda emoção

*

SoniaNogueira

segunda-feira, julho 12, 2010

*NÃO SEI SE TE AMO


Não sei se te Amo

*

Em cada sol que aquece minha alma

Nasce à emoção, o sonho enamora

Em cada respingo fujo da aurora

*

Se te penso os sonhos se torturam

Se durmo a noite me desmorona

No alvorecer os olhos te procuram

*

Dias há que tu és mundo infinito

Noutros cinzas que não acende

Tardes tristes, tela sem olhar fito

*

Em cada sol que aquece minha alma

Não sei se te amo ou não te amo

Mas a lembrança da palavra acalma

*

E vou seguindo trilha e estrada

Pés descalços, olhar indagador

Sonhos na fantasia, alma calada

*

O sonho permanece inacabado

Se te amo fica chama torturada

Se te fujo quero sonho tatuado

*
SoniaNogueira

quinta-feira, julho 01, 2010

*PERDI-ME EM TI

Perdi-me em Ti

*

Quando o pensamento se afogou

Escravo dos minutos dos segundos

Exatamente no olhar fitos profundos

Retendo a imagem onde aflorou

*

Quando do poema os versos teus

Embala meu sonhar mesmo utopia

Verso inteiro e emoção em agonia

Resgata, sintoniza os sonhos meus

*

Perdi-me nos teus trilhos fantasias

Sabendo dos perigos os temias

Embalde resisti olhei uma estrada

Parei, olhei que a seara na entrada

*

Havia plantação e mil, caminhos

Olhei, pra que sonhar sonhos sozinhos

Fechei o coração, sonhei, dormi...

E quando acordei o sonho estava ali

*

SoniaNogueira

*POETRIX

* Saudade

Quando vi estava chorando

Lembrando do que não veio

O pensamento fez esteio


*Dádiva

Frio no sul dos agasalhos

Sol no nordeste da terra luz

Dádiva bendita que seduz


* Fogo

Fogo é amor ardendo

Fogueira que nunca acaba

Paixão ardendo na brasa


* Noite

A noite finge que dorme

O coração faz vigília

O amor sozinho se recolhe


* Ventania

O vento soprava mudo

Coração sentia saudade

Na noite sombria teu vulto


* Amor

O amor é como relâmpago

Aparece no temporal

Cessa a chuva morre de sede

***

SoniaNogueira

quinta-feira, junho 03, 2010

*ROSAS AO AMOR



Dia dos Namorados, 12 de junho

* Rosas ao Amor
*
Envio na vermelha a paixão viva
Correndo veias, abrindo vulcões
Chama contínua que sobreviva
Às marés altas, grandes dimensões
*
No ouro amarelo da flor dália
Firmeza e união serão eternas
Grandeza do amor sem represália
Chama do baú mina em caverna
*
Olhando a violeta em lealdade
Os laços intercalam harmonia
Sonho amordaça em suavidade
O sonho nunca acorda em agonia
*
Rosácea vem acácia na constância
Neste ramalhete aos pés eu deito
Como juramento, e na distância
Envio enamorada, ao meu eleito
*
A brancura da camélia vem à paz
Rompendo toda a treva embutida
Lavando coração que a alma faz
Luz rara, transparente e comovida
*
Eu Procuro a flor azul no infinito
Encontro no poema como hino
Não deixa fenecer sonhado grito
Conserva o sonhar, preserva o tino
*
SoniaNogueira